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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Decepções e Esperanças


Colecionava decepções e esperanças, e sabia que não era nem um pouco organizado se ter decepções e esperanças no mesmo álbum de figuras. De repente foi por isso que tanto sofreu, talvez tenha sido por isso também que tanto aprendeu. Raramente ela contava quantas decepções tinha conseguido, mas sempre soube que o número de esperanças andava sempre maior. Talvez ela fosse uma péssima colecionadora de sentimentos, pensava. Sabia, quase sem querer, que as coisas boas um dia iam chegar, e que as coisas ruins um dia chegariam também, e atrapalhariam tudo o que já estava certo, porque essa era a lei da vida. E acreditava que todos também deveriam pensar assim, gostaria sim que todos tivessem suas esperanças e decepções organizadas juntas, não pra se contar quantas vezes se ganhou ou se perdeu, mas pra saber, que não virão coisas boas se não tiverem as ruins; ela sempre dizia que quando se escreve alguma coisa bonita na areia da praia, ou quando se faz um castelo perfeito, vem a onda e destrói tudo, mas isso não é uma coisa ruim, isso acontece pra gente escrever uma coisa melhor na areia, pra fazermos o castelo com maior perfeição. Tudo na vida muda, independentemente de ser pra melhor ou não. Tinha muita dificuldade em se explicar quando alguém fazia a pergunta "quem é você?". Realmente não sabia quem era, porque o que era em instantes atrás já não é mais, o ontem depois que passava sempre vinha com novas ideias; novos sonhos; novas notícias, ruins e boas; novos gostos musicais; novos amigos; novas preocupações... Tudo mudava a cada momento, a cada dia, semana, mês, ano... Não era possível dizer quem era, mas era possível dizer do que ela era feita, do que todos nós somos feitos... Decepções e esperanças. Só.
Se não fosse as decepções, todo mundo seria burro, ninguém saberia enfrentar os problemas, todo mundo seria fraco demais pra qualquer coisa. Se não fosse as esperanças também, porque ela sabia que não eram só os pés que a faziam levantar da cama todos os dias, mas sim as esperanças. Pra ela, não há como viver sem ter decepções, mas também não há vida nenhuma sem esperança. 
Por todos esses motivos, sempre, por onde andava, levava a seguinte frase: "devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita".
E assim ela vivia, nem sempre feliz, as vezes decepcionada, com os outros, com a vida, mas sempre com a esperança, que mesmo com as coisas todas ruins... algo melhor sempre poderia surgir, assim, de repente...

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